sábado, 1 de março de 2014

Love changes everything 1°Cap.







Gorda! – Ouvi-os gritar. Eu sabia. Eles tinham razão, odiava-me por isso. Sempre que ouvia essa palavra e sabia que era dirigida a mim, o meu coração tornava-se um copo e partia-se em mil cacos. No fundo, talvez fossem esses cacos que me cortavam…Era uma sensação de insuficiência, como se eu não vale se nada, pois aos olhos deles o número que aparecia na balança quando era a minha vez de estar lá em cima, era muito mais importante do que o brilho dos meus olhos. Isso doi a. Doi a mais que um desgosto de amor, mais que quando a minha melhor amiga tinha traído a confiança que depositava nela, ou até mesmo quando me dei conta que apenas tinha um amigo e mesmo esse, teve de partir. Saí a correr para a casa de banho, sem sequer pensar nas aulas. Olhei-me ao espelho e foi ai que pensei nele, como acontecia todos os dias. Os meus pensamentos levaram-me àquela tarde de sol. Eu tinha 5 anos.

‪#‎Flashback‬ on#
- O MEU GELADO! – Gritei ao vê-lo cair no chão. A minha mãe tinha acabado de o comprar e ao sentar-me no baloiço, ele caiu. Nem sequer consegui evita-lo. Parecia um pesadelo.
- Queres o meu? – Ouvi uma voz inocente perguntar. Era exactamente o que eu queria ouvir, levantei a cabeça e olhei-o. Era um pequeno rapaz, moreno, de olhos azuis, meio esverdeados. E que segurava, de braço esticado, um gelado, aparentemente, de chocolate. Queria aceitar, mas não sabia como o dizer. Ele parecia ser um ou dois anos mais velho que eu. E como já nessa altura, as pessoas me olhavam de lado e comentavam. Estranhei o facto de ele se ter aproximado, e alem disso ter falado comigo. Estranhei o facto de ele não me ter olhado de lado, comentado e depois afastando-se, como se eu fosse um monstro. As pessoas apenas não sabiam que o que para elas era um mero ‘que gorda’, a mim faziam-me chorar.
 Aceitei e sorri envergonhada. Ele sentou-se no outro baloiço ao meu lado. Passamos a tarde toda juntos. Ele era o meu primeiro amigo e eu disse que ele era o melhor menino do mundo.
#Flashback off#

Foi nesse dia que tudo começou, lembrava-me perfeitamente. Pensei que nunca mais o iria ver e no dia a seguir, voltei a ir ao parque com a minha mãe, estava ansiosa por ver se ele lá estava, voltei a sentar-me no baloiço e ouvi um ‘buh!’, saltei assustada e ouvi um pequeno riso, era ele. Aquilo tinha-se tornado uma rotina. Nós brincávamos desde que eu chegava até que eu ia embora, ele não se importava com o meu corpo, não se importava se eu sabia ou não fazer a cambalhota como as meninas normais. Ele apenas queria brincar comigo e naquele parque haviam centenas de crianças como nós, e mesmo assim, ele nunca me trocava, nós riamos e chorávamos juntos. As nossas mães depois de tantas tardes sentadas no mesmo banco, começaram a falar. E tal como nós, tornaram-se amigas. Então, quando era Inverno e o parque fechava, ele vinha para mim casa, brincar e outras vezes eu ia para casa dele, lanchávamos juntos e depois brincávamos aos cafés, ás escondidas, à apanhada e aos cantores. Quando ele fez 6 anos, eu chorei imenso, ele era 1 ano mais velho que eu, então, ele ia para a escola e eu não. Iria ficar sozinha. Não ia ter mais ninguém para brincar, mais ninguém iria comer gelado comigo na praia, no parque ou até mesmo no meu jardim, mais ninguém iria querer falar comigo. No entanto e surpreendentemente isso não aconteceu, ele vinha para minha casa sempre que chegava da escola. No ano a seguir eu fui para a escola também. Andávamos na mesma escola, mas éramos de turmas diferentes. Os meninos e as meninas da minha turma não falavam comigo. E eu passava todos os intervalos com ele. Os anos passaram. Quando cheguei ao 11º ano, começou o meu pesadelo. Continuava a tê-lo apenas a ele. Mas numa tarde, cheguei a casa com a minha mãe e o telefone estava a tocar. A minha mãe correu até ele e atendeu. Não ouvi o início da conversa, apenas o fim.
- ‘Façam boa viagem e vão dando noticias.’ – Ela disse despedindo-se. Desligou o telefone e olhou-me. - Eles foram embora, filha… - Ela contou-me.
- Quem, mãe? – Perguntei-lhe.
- A Maura e o filho, o Niall, vão voltar para a Irlanda. – Ela confessou, olhando-me com olhos de pena. Sai dali a correr e fui até ao meu quarto, tranquei a porta e mandei-me para cima da cama de barriga para baixo a chorar. Sentia-me sozinha, abandonada, como se na verdade ninguém se importasse com o que eu sentia. Ele ia embora. Ele era o meu melhor amigo, o meu primeiro amigo, era como um irmão e ia deixar-me. Talvez nem se fosse lembrar mais do meu nome. Não sabia o que fazer, alias, a minha vontade era sair dali, daquele quarto, com todas as malas feitas e ir. Ir com ele. Ir para onde ele fosse. Mandei-lhe mensagens e ele não me respondeu. Eu sabia que ele odiava despedidas… Mas eu queria despedir-me, queria agradecer-lhe, queria abraça-lo uma ultima vez. Não consegui despedir-me dele. Na manha seguinte ao ir para a escola, passei pela casa onde tantas e tantas vezes tínhamos brincado e senti um vazio enorme, não só um vazio por ver na janela do quarto dele a palavra ‘vende-se’ como por saber que ele nunca mais iria voltar. A minha mãe disse-me que se a nossa amizade fosse verdadeira não iria acabar assim. Eu já estava mal e no primeiro intervalo tudo piorou. Uns rapazes da turma do Niall, vieram na minha direcção e empurraram-me.
- Agora estás sozinha, óh Gorda. – Um deles disse a rir. Os restantes riram também. E o meu mundo caiu junto com todos os livros que eu segurava com força como se fossem a minha barreira. Nesse momento, outro dos rapazes mandou um pontapé nos meus livros e eles deslizaram pelo corredor. Quando eu estava com o Niall, ninguém se atrevia a apontar-me o dedo, mas agora que ele tinha ido embora. Tudo estava a acontecer. Todos se tinham virado contra mim. Eles odiavam-me. Eu era apenas a gorda e a feia por quem nunca nenhum menino que apaixonava.
 Começou uma nova fase. Eu estava sozinha. Não consegui contar à minha mãe o que se tinha passado e a partir daquele dia as coisas pioravam a cada instante. Eu odiava-me tanto quanto eles. Odiava o meu corpo. Odiava-me por não ser o melhor para ninguém. Tinha vergonha do que eu era. Vergonha das minhas pernas, da minha barriga e dos meus braços. Sentia-me como se não valesse nada, como se todos á minha volta fossem melhores que eu. Doía mais o que eu sentia do que os pontapés que levava. Um ano da minha vida foi passado assim. Os meus pulsos tinham as cicatrizes de cada um desses segundos, minutos, horas ou até mesmo de dias. Apenas uma pessoa me acalmava. Ele. O mesmo menino loiro que me tinha oferecido um gelado depois do meu cair. Ainda era ele quem estava comigo. Todos os dias ao chegar da escola, era com ele que eu falava. Fazíamos web, cantávamos, ele contava-me as novidades e eu ouvi-o, atentamente. Até que numa das nossas conversas com a web, eu arregacei as mangas da minha camisola. Ele viu os cortes. E perguntou-me o que era aquilo, rapidamente baixei as mangas e olhei para a secretária. Ele tinha acabado de descobrir o meu maior segredo. Tive de lhe contar tudo. Desde as coisas que ouvi-a, aos estalos, pontapés, ao que haviam feito ao meu cacifo e incluindo o facto de me terem queimado os meus livros. Ele chorou ao ouvir-me contar tudo aquilo e ao ver os meus cortes. Formou-se um imenso buraco no meu peito naquele instante, as lágrimas dele caiam intensamente, como se eu fosse parte dele. Quando cada uma das suas lágrimas caia um pedaço de mim despedaçava-se. Ele era o meu tudo. E não merecia que eu lhe fizesse sofrer daquela maneira.
Os meus pensamentos foram interrompidos quando a porta da casa de banho se abriu de repente. As lágrimas escorriam pela minha cara e imediatamente tentei limpá-las. Eu não podia dar parte fraca. Sai da casa de banho. Estava atrasada, fui até á sala como se nada tivesse acontecido e entrei. Todos me olharam e reviraram os olhos, como se eu não importasse nada para deles. Sentei-me na mesa do fundo e fingi estar interessada na aula, na realidade não estava, apenas conseguia ouvir a mesma palavra repetidamente, o mesmo som, a mesma frase. Tudo coisas contra mim. Era o último dia de aulas, felizmente. Havia apenas o baile de finalistas e eu nem sequer queria ir. A rainha do baile ia ser uma menina magra, bonita e no fim apercebi-me que isso era tudo aquilo que eu ainda não era. Ouvi o toque soar. Peguei na minha mochila e sai da escola. Queria sair dali o mais rápido possível. Fui para casa, quase a correr. Fui até à cozinha e preparei uma salada. Tinha ido a um nutricionista à um mês e ele tinha-me recomendado uma dieta equilibrada. Comi e fui á casa de banho lavar os dentes. Subi as escadas até ao meu quarto e olhei-me ao espelho. Notei que as cicatrizes estavam a desaparecer a cada dia que passava. Não me tinha voltado a cortar desde que o Niall tinha descoberto de tudo. Ele fazia-me sorrir, acima de tudo, era isso. Ele fazia-me feliz. Eu estava a tentar mudar. Estava a tentar emagrecer e a esforçar-me para não me voltar a cortar. Liguei o computador e iniciei sessão no Messenger, ele estava online.
- Oiii. – Digitei.
- Oiiiii princesa. – Ele respondeu-me. Sorri.
Enviei-lhe um convite para fazer-mos chamada.
- Como estás? – Perguntei-lhe.
- MUITO MUITO MUITO BEM. – Ele quase gritou. - E tu? – Perguntou-me.
 - Também estou bem. – Respondi. – Diz-me só de onde saiu tanta alegria?
- Conheci uma pessoa. – Ele disse com um enorme sorriso.
 - Áh… - Suspirei. Tinha muito medo que ele se apaixonasse e se esquecesse de mim. – E então? era bonita?
- Éééht. – Ele suspirou. – Devia ter uns 40 anos. – Ele contou-me a rir.
Ri-me. - És mesmo parvo. – Confessei. – Mas como é que a conheceste? – Perguntei-lhe ainda a rir.
 - Conhecia quando fui saber a que horas chegas, no Domingo.
- A que horas eu chego?
- Sim. – Ele respondeu-me sorrindo.
Não me deu tempo que eu dissesse alguma coisa.
- Vens viver comigo para Londres. – Ele disse.
- EU? – Perguntei-lhe quase a gritar.
- Sim. – Ele respondeu-me rindo.
O meu coração iniciou uma enorme sinfonia, a minha barriga esfriou automaticamente e os meus lábios formaram um enorme sorriso. Era exactamente aquilo que eu queria. Era exactamente aquilo que eu precisava. Sair de Portugal. Sair da beira dos olhares, dos comentares, dos dedos indicadores, das risadas. Sair da beira de pessoas que me odiavam. Eu não sabia o que iria dizer, sabia apenas que precisa de dizer algo.
- Não digas nada e vai preparar as malas. – Ele afirmou, vendo-me na web.
- OMG. – Disse com os olhos totalmente inundados. – ATÉ DOMINGO, PRÍNCIPE. – Disse rindo.
Desliguei a web e de seguida o Messenger. Fui até ao Youtube e meti música (http://www.youtube.com/watch?v=Lq3iagZzloU).Enquanto fazia as malas. Só depois de fazer algumas me lembrei dos meus pais. Então e eles? Desci as escadas a correr e fui até á cozinha. A minha mãe estava a lavar a loiça. Aproximei-me dela.
- Eu estive a falar com o Niall... – Contei-lhe.
( não liguem as países, não são esses :s )
 - Então já sabes?!
- E tu e o pai? – Eu perguntei-lhe.
 - Nós vamos para a Irlanda, para perto da Maura e do Bobby. – Ela contou-me.
Estava tudo a ganhar um rumo, tudo parecia ir ficar bem. Eu estava a tentar mudar o meu corpo, tentava manter-me forte, ia viver com o meu melhor amigo para Londres e os meus pais iriam estar bem. Abracei a minha mãe com força e sai a correr para o quarto de novo, sorrindo. Preparei o resto das malas e desci para lanchar. Peguei numa maça e depois voltei para o quarto. Continuei a preparar as malas. Quando, finalmente, acabei, já era tarde. Tinha passado horas de volta das malas e ainda me faltava arrumar imensas coisas. Peguei na minha caixa das memórias e sentei-me na cama. Abri-a e tirei de lá tudo o que havia guardado. A maioria eram fotos minhas com o Niall e confesso que elas me faziam rir. Principalmente aquelas em que estávamos a fazer caretas e palhaçadas. Ele era um príncipe, um autêntico príncipe. Sorri e voltei a fechar a caixa metendo-a perto das malas que já tinha feito. Desci para jantar e depois voltei para o quarto, estava cansada por isso deitei-me e acabei por adormecer...
 





Bem girls aqui está o primeiro capitulo espero que gostem , desculpem a demora a publicar tenho andado a estudar para os testes e tem sido difícel escrever , mas bom está aqui e espero que gostem <3
Espero que comentem :c
Beijinho

2 comentários:

  1. Que fic da hora! Sério é a primeira vez q fico in love por uma fic ja no primeiro capitulo! Continua por favor
    Xx Jeh Tomlinson xx

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